Bum bum paticumbum burungundum
Artur de Carvalho
Começou.
Aliás, começou já jaz uns bons dias, eu é que estou meio
atrasado. É o carnaval. As coisas todas, agora, só lembram o carnaval. Mesmo
coisas que não tem nada a ver com carnaval, são quase que obrigadas a entrar no
ritmo. Na televisão, então, você vê de tudo quanto é coisa entrando no ritmo do
carnaval. As Casas Bahia já devem ter começado seu carnaval de ofertas. Se não
elas, o Magazine Luíza, as Americanas, uma dessas. Todo ano tem. Ofertas que são a alegria do povo. A alegria contagiante em 17 vezes sem
juros. Bum
bum paticumbum burungundum. Eu me lembro de uma vez que até o Bombril teve
um comercial de carnaval, com aquele carequinha de óculos apontando os dois
dedos para cima, simulando uma dança, e assoprando um apito. Era o Bombril no carnaval. Não lembro direito como eles fizeram
para juntar Bombril com carnaval, mas não deve ter ficado de todo mal, porque
qualquer coisa que aquele carequinha de óculos fizesse acabava ficando
engraçado. Bum bum paticumbum
burungundum. E os bancos? O Bradesco, por exemplo,
lançou esse ano um negócio esquisito chamado Concurso Bradesco Quiz Carnaval Brasileiro. Ou algo assim. Para ganhar, o
cara tem que responder lá umas perguntas sobre o carnaval brasileiro e esperar
um sorteio. Bem, eu posso ser um babaca, mas um banco é uma coisa que deve
primar pela ordem, pela seriedade. E carnaval é justamente o oposto. É o caos,
a bagunça. Agora, me diz aí. O que é que tem a ver carnaval com uma instituição
bancária? Bum bum paticumbum
burungundum. Quem responder, ganha uma temporada em
Salvador, com direito a levantar as mãozinhas para cima e ficar balançado de lá
para cá quando passar o trio elétrico da Ivete Sangalo. Bum bum
paticumbum burungundum. A
coisa pega até os telejornais. Os telejornais mostrando o trabalhador
brasileiro, sempre feliz e alegre, costurando suas fantasias e preparando a
Marquês de Sapucaí para o maior espetáculo da Terra.
E,
é claro, como poderiam deixar de faltar. Os comerciais de cerveja. Um mais
animadinho que o outro. Aquela mulherada suada sob o sol de 40 graus, vestindo
três lantejoulas e uma pulseirinha de pano do Senhor do Bonfim. Tem um amigo
meu que chegou no bar e pediu uma Brahma e começou a
olhar dos lados. Passou um pouco, ele começou a ficar nervoso. Pediu outra, e
outra. Aí ele olhou para mim e perguntou:
-
Vem cá, que horas que todas aquelas loiraças de biquini vão aparecer, hem?
Bum bum paticumbum burungundum.