Ocos
Artur de Carvalho
Apesar
de todo aquele papo de revolução cinematográfica, de efeitos 3D como nunca
vistos antes, dos milhões de dólares gastos na descoberta de novas tecnologias
e tudo o mais, o filme "Avatar" perdeu o
Oscar para um filme de baixo orçamento e considerado bastante normal e até,
digamos, no limite do convencional: o "Guerra ao
Terror". Mesmo quem não gosta muito de cinema nem lê muito a respeito sabe
que o "Avatar", nas primeiras pesquisas,
era considerado por todo mundo favoritíssimo ao Oscar de melhor filme, melhor
diretor, melhor roteiro. Para falar a verdade, ele era o favorito a melhor
tudo. Pois, apesar disso, o "Avatar" ganhou
só três oscars, e ainda por cima ganhou nessas
categorias que ninguém dá muita importância, tipos, o melhor som ambiente
digital ou coisa que o valha.
E
porque é que o "Avatar" não ganhou quase
nada, enquanto todo mundo esperava tanto dele?
Bem,
a meu ver, a resposta é muito simples. Como a maioria das coisas e das pessoas
de hoje em dia, faltou conteúdo. É. Con-te-ú-do. "Avatar"
tem uma históriazinha até que bem legal, mas não
passa disso. É roteiro de filme de Sessão da Tarde. São sempre aqueles mesmos
heróis tentando mudar o mundo, lutando praticamente sem recursos contra uma
grande potência bélica, tentando salvar a liberdade e a pureza de uma
civilização qualquer, tudo isso com muita correria e batalhas épicas salpicadas
por momentos românticos ou engraçadinhos.
O
"Avatar" me faz lembrar
de um amigo meu que, maravilhado pelas novidades tecnológicas da
internet, resolveu criar um site totalmente inovador.
-
Vai ser "O” Site.
Para
isso, fez um monte de cursos, comprou um computador de última geração, e
dedicou-se ao trabalho por quase um ano. Ele só falava disso, dizendo que O
Site ia ter capacidade para gerenciar redes sociais, interagir com a nuvem e
mais um monte de façanhas. Aí, um dia, ele me telefonou.
-
Está pronto!
-
O quê?
-
O Site, oras. O Site!
E
aí ele me mostrou. Realmente, era um site muito bonito. Cheio de efeitos
especiais, luzinhas piscando e movimentos sensacionais.
-
Bem, e o que é que eu faço nele?
-
Como assim, "faz"?
-
Oras, esse é um site de quê? De notícias? De fotos? De
filmes? De jogos?
-
Hã... Não, não tem nada disso no site...
-
Bem, então porque é que as pessoas vão entrar nele?
Meu
amigo ficou olhando para mim. A princípio, com uma certa
raiva. Mas, aos poucos, a raiva foi dando lugar a um ar de frustração. E,
finalmente, tristeza. Antes que ele começasse a chorar, eu ofereci umas
crônicas e umas ilustrações para colocar lá no site dele.
Não
chega a ser nada muito especial, mas já era um começo.